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Neuralgia ílioinguinal

Minha virilha está queimando e doendo, socorro!

A Neuralgia ílioinguinal é uma condição dolorosa, relativamente rara, localizada na região da virilha. Ela ocorre quando os nervos na pelve ficam danificados ou irritados, particularmente o nervo ílioinguinal.

ANATOMIA

O nervo ílioinguinal se origina do plexo lombar. O plexo lombar, localizado no interior do músculo psoas, é a porção superior do plexo lombo-sacral. É geralmente formado pelas divisões anteriores dos três primeiros nervos lombares e parte do quarto, e em 50% dos casos ele recebe uma contribuição do último nervo torácico.

Os nervos L1, L2 e L4 dividem-se em superior e inferior. O ramo superior de L1 forma os nervos íliohipogástrico e ílioinguinal. O nervo ílioinguinal (L1) segue um curso ligeiramente inferior ao íliohipogástrico, com o qual pode se comunicar, e é distribuído à pele da parte medial superior da coxa e à raiz do pênis e escroto ou monte púbico e grandes lábios.

CAUSAS

Uma das causas mais comuns desta condição crônica é um dano auxiliar durante a cirurgia corretiva de hérnia, mas também pode ser resultado de uma pós-cirurgia de tecido cicatricial com grampos, suturas ou o próprio procedimento que aprisiona os nervos e os comprime. Menos comumente, lesões traumáticas podem produzir essa condição, e muito raramente, essa patologia ocorre de forma espontânea.

QUADRO CLÍNICO

A dor neuropática dessa patologia relaciona-se principalmente com a distribuição dos nervo ílioinguinal. A dor, em geral, está restrita à área de inervação do nervo lesado, onde o paciente acusa dormência e certo grau de parestesia. Ela costuma ser intensa, frequentemente em queimação, podendo se acompanhar de fenômenos vegetativos e mudanças no comportamento, particularmente, depressão.

Na lesão do nervo ílioinguinal ou íliohipogástrico os sintomas usualmente envolvem a região inguinal com irradiação para a porção interna e superior da coxa, para o escroto e grandes lábios.

A dor da neuralgia ílioinguinal é agravada pela extensão da coluna lombar, o que aumenta a tração sobre o nervo. Pacientes que sofrem de neuralgia ílioinguinal, muitas vezes, assumem a posição de um esquiador iniciante, curvado para a frente. Se a condição não for tratada, pode causar um déficit motor progressivo que consiste em abaulamento dos músculos da parede abdominal anterior. Este abaulamento pode ser confundido com hérnia inguinal.

DIAGNÓSTICO

Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito a partir da revisão da história clínica do paciente, realizando uma avaliação dos fatores de risco e do exame físico. Achados físicos incluem déficit sensorial no interior da coxa, escroto ou grandes lábios, ou seja, na distribuição do nervo ílioinguinal. A fraqueza da musculatura da parede abdominal anterior pode estar presente. O sinal de Tinel pode ser induzido realizando uma dígitopressão sobre o nervo ílioinguinal no ponto em que ele passe através do músculo transverso do abdome. Como mencionado, o paciente pode assumir a posição de um esquiador iniciante, curvado para a frente.

O bloqueio de nervos pode ser conduzido utilizando um agente anestésico para identificar quais as fibras/nervos estão envolvidos.

TRATAMENTO

O tratamento da neuralgia ílioinguinal deve ser feito inicialmente com medicação antiinflamatória não hormonal ou hormonal. O uso de um corticosteróide de depósito, por via intramuscular, seguido de um antiinflamatório não esteróide pode ser uma boa opção.

A maioria dos casos necessitará de medicação específica para neuralgia crônica, como a carbamazepina, gabapentina ou a amitriptilina. A carbamazepina e a gabapentina são anticonvulsivantes que tem efeito no tratamento de neuropatia periférica, como a secundária à herniorrafia. A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico, que apresenta bons resultados nos quadros álgicos crônicos, particularmente nas neuralgias periféricas. É vantajosa nos pacientes que apresentam alterações do comportamento, principalmente quadro depressivo associado.

Se o paciente não responder a estas medidas conservadoras, a próxima etapa razoável é o bloqueio do nervo ílioinguinal com anestésicos locais e esteróides.

A radiofrequência pulsada é outra opção conservadora, sendo considerada como um tratamento não neuro-destrutivo resultando em menor potencial de formação de neuroma, e com altos índices de regressão dos sintomas da patologia apresentada.

A neuromodulação através de estimulação dos nervos periféricos com eletrodos também está incluída neste arsenal terapêutico e pode ser lembrada como tratamento conservador em determinados casos.

Quando se indica o tratamento cirúrgico, passa ser importante diferenciar se a dor é somática ou neuropática. No caso da neuralgia ílioinguinal, está indicada a neurectomia.

 

REFERÊNCIAS

Management of chronic pain after inguinal hernioplasty. – José Guilherme Minossi, TCBC-SP²; Vinícius Vendites Minossi²; Alcino Lázaro da Silva, ECBC-MG³.

FERRAZ E.D. Neuropatia por Aprisionamento – Entidade não Esquecida na Era Laparoscópica Revista brasileira de videocirurgia 2007;5(3):144-157.

Ilioinguinal and Genitofemoral Entrapment Neuralgia. Experience in 8 cases and a review of the literature. – Emeka Nwose MBBS, Ph.D. Journal of College of Medicine, December 2002; 7(2): 95-98.

MOORE, Keith. Anatomia Orientada para a Prática Clínica. 4ed. Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan, 2001.

 

Imagem: http://www.aafp.org/afp/2001/1015/afp20011015p1405-f7.jpg

 

Ian Magalhães Rios

Acadêmico do sexto período de medicina

Centro Universitário do Espírito Santo

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