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Epicondilite Medial

EPICONDILITE MEDIAL

‘Nossa, que dor de cotovelo!’

A Epicondilite Medial, também conhecida por “cotovelo de golfista”, é caracterizada pelo processo inflamatório da origem dos tendões flexores do antebraço responsáveis por dobrar o punho e os dedos. A inflamação ocorre, geralmente, quando os tendões são muito solicitados ou por esforços repetitivos, e se ela permanece por tempo prolongado é capaz de causar alterações estruturais nesses tendões que começam a se degenerar. Essa patologia pode estar associada à instabilidade do cotovelo, podendo causar lesões nos ligamentos mediais.

A epicondilite medial ocorre em aproximadamente 0,5% da população geral em idade produtiva, com incidência maior no cotovelo dominante e apresenta maior prevalência na faixa etária de 45 a 55 anos. Diversos esportes, atividades laborais, ou até mesmo, um evento único traumático podem gerar essa sobrecarga, como o golfe, o tênis e a musculação, e atividades de trabalho como a digitação, manipulação de máquinas pesadas que necessitem de movimentação recorrente dos flexores.

 

ANATOMIA

O cotovelo é uma articulação formada por três ossos, sendo o osso do braço (úmero) e os ossos do antebraço (ulna e rádio), três ligamentos – os colaterais ulnar e radial e o ligamento anular do rádio – e uma cápsula articular. Existem duas saliências na parte inferior do úmero, sendo a da parte mais interna ao tronco denominada epicôndilo medial. Já a articulação do punho é formada pelas articulações radio-ulnar distal e rádio-cárpica. Os músculos envolvidos na flexão do antebraço na articulação do cotovelo são o bíceps braquial, o braquial, o braquiorradial, assim como o pronador redondo que auxiliará na flexão. Os tendões que flexionam o punho estão fixados ao epicôndilo medial que são o flexor radial do carpo e o flexor ulnar do carpo. Se o próprio côndilo ou tendões flexores comuns que nele se inserem estiverem inflamados, ao resistir à flexão do punho, a irritação do epicôndilo medial e seus tendões inseridos pode ser reproduzida.

 

QUADRO CLÍNICO

O paciente com epicondilite medial apresenta dor, inicialmente na parte medial do cotovelo (ou interna), que pode irradiar para todo o antebraço, mas tem seu ponto mais doloroso próximo ao osso medial do cotovelo (epicôndilo medial), que interfere no movimento para levantar e abaixar o punho, para digitar, perda de força no pulso, dor que piora com o decorrer das atividades durante o dia e dor noturna, assim como, dor ao rodar o polegar para baixo contra resistência. Pode ter início súbito como em um único movimento de esforço, caracterizando uma micro-ruptura no tendão, como também, início tardio que, normalmente, ocorre dentro de 24-72 horas após um intenso período de flexão associada com pronação do punho. Além disso, Cerca de 50% dos casos dessa patologia têm sintomas neurológicos de parestesias (formigamento no 4º e 5º dedos da mão) associados à compressão do nervo cubital.

 

DIAGNÓSTICO

É normalmente clínico, baseando-se na história clínica, nos sinais e sintomas e no exame físico do paciente. Faz-se o “Teste para Epicondilite medial” com o paciente sentado, com o cotovelo a 90º e com abdução do ombro a 90º, pede-se que ele faça uma extensão do cotovelo e supinação da mão e, também, instruir que ele flexione o punho contra a resistência. Se for provocada dor no epicôndilo medial, deve-se suspeitar da sua inflamação. Se houver dúvida quanto ao diagnóstico, o exame de ultrassom e a ressonância magnética são os mais utilizados para auxiliar e tem boa acurácia.

 

TRATAMENTO

Inicialmente, o tratamento é conservador e deve ser ajustado às atividades de cada individuo e tendo como base, principalmente, o controle da dor, a reeducação de atividades que fortaleçam a musculatura acometida e a prevenção. Para o controle da dor, recomenda-se o uso de medicações anti-inflamatórias orais e tópicas, órteses, compressas de gelo, infiltrações e imobilizações. A maioria dos pacientes reage bem a terapias como a fisioterapia, ondas de choque ou a acupuntura. A reabilitação consiste no alongamento da musculatura flexora, que quando realizado com ativação da musculatura antagonista pode ser mais eficaz, e no fortalecimento da mesma. Se os sintomas não aliviarem após um período entre 6 e 12 meses com o tratamento conservador, pode-se indicar a cirurgia que envolve a remoção da parte de músculo lesada e reinserção da parte muscular saudável no osso. A prevenção deve ser realizada, evitando novas crises e recidiva da dor e, para isso, recomenda-se alongamento e fortalecimento da musculatura envolvida de maneira padronizada e frequente.

BIBLIOGRAFIA

1- CIPRIANO, Joseph J. Manual Fotográfico de Testes Ortopédicos e Neurológicos. 4ed. São Paulo: Manole, 2005.

2- STONE, Robert J. Atlas musculoesquelético. 5ed. Artmed, 2006.

3- Da SILVA, Rogério Teixeira. Lesões do membro superior no esporte. Rev Bras Ortop. 2010;45(2):122-31.

4- LIPPERT, Lynn S. Cinesiologia Clínica e Anatomia. 5ed. Guanabara Koogan, 2013.

• Figura-fonte: (http://maurogracitelli.com/blog/epicondilite-medial)

 

Letícia Binda Martins D’Avila

Acadêmica do quinto período de medicina

Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC

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