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Parece que minha cabeça vai explodir Doutor…

Nosso primeiro problema surge com o sinônimo da enxaqueca -Hemicrania- que implica a existência de uma dor de cabeça (Hemicrânica), como característica definidora. É necessário esclarecer desde o início, que a dor de cabeça nunca é o único sintoma de uma enxaqueca e na verdade nem mesmo é um componente necessário dos acessos de enxaqueca. Precisamos conservar o uso da palavra enxaqueca porque ela vem sendo empregada há muito tempo e de modo generalizado.

A enxaqueca é uma cefaleia recorrente benigna, disfunção neurológica recorrente ou ambas; é geralmente acompanhada por intervalos sem dor e é quase sempre provocada por estímulos estereotipados. É bem mais comum em mulheres; as pessoas afetadas tem predisposição hereditária aos ataques; e os fenômenos circulatórios cranianos que acompanham os ataques parecem originar-se de um transtorno primário do tronco cerebral.

ANATOMIA:

A cefaleia anteriormente considerada como de origem periférica, pode originar-se tanto por, ativação de nociceptores periféricos na presença de um sistema nervoso periférico normal, quanto por lesão ou ativação do sistema nervoso periférico ou central. Portanto a cefaleia pode ser acarretada por disfunção, deslocamento ou compressão de estruturas cranianas sensíveis a dor. As seguintes estruturas são sensíveis a estimulação mecânica: couro cabeludo e aponeurose, a artéria meníngea media, os seis durais, a foice do cérebro e os segmentos proximais das grandes artérias piais. A estimulação elétrica nas proximidades das células da rafe dorsal mesencefálica pode ocasionar as cefaleias do tipo enxaqueca . Estímulos sensitivos da cabeça são transmitidos ao cérebro pelos nervos trigêmeos, especialmente a primeira divisão, a partir de estruturas acima do tentório nas fossas anterior e media do crânio. Os três primeiros nervos cervicais levam estímulos da fossa posterior e de estruturas infradurais, o que explica porque dores no pescoço são em geral um componente da enxaqueca. O nono e o décimo nervos cranianos suprem parte da fossa posterior e dirigem a dor para o ouvido e para a garganta.

QUADRO CLÍNICO:

Apresenta a dor de cabeça e náusea como principais sintomas. Completando-os, pode haver uma notável variedade de outros sintomas importantes( aparência facial, sintomas oculares, sintomas nasais, sintomas abdominais e ação anormal do intestino, alterações do equilíbrio hídrico, febre, entre outros sinais e sintomas secundários), em adição a pequenos desarranjos e alterações fisiopatológicas que podem passar despercebido pelo paciente. “Uma sensação generalizada de desordem”, que pode ser sentida física e emocionalmente prejudicar e frustrar os poderes de descrição do paciente. É valido lembrar que os sintomas da enxaqueca nunca ocorrem em um isolamento tão esquemático, mas são, isso sim, ligados uns aos outros de varias maneiras.

DIAGNÓSTICO:

A enxaqueca é uma enfermidade caracterizada por episódios de cefaleia com 4 a 72 horas de duração, sendo acompanhada por mais dois dos seguintes sintomas: Dor Unilateral; Dor de intensidade média ou forte; Latejamento; Piora com a movimentação. E um dos seguintes sintomas: Náusea ou Vômito; Fotofobia (sensibilidade à luz) ou Fonofobia (desconforto provocado pelos sons).

Sintomas da enxaqueca podem confundir-se com outras causas de cefaleia. Como exemplo, um número significativo de pacientes com enxaqueca pode apresentar sintomas que sugerem patologia dos seios nasais. Adicionalmente, um estudo sobre pacientes observados na clínica geral, com cefaleia atribuída a sinusites recorrentes, encontrou-se que 90% desses preenchiam os critérios diagnósticos de enxaqueca.

TRATAMENTO AGUDO:

Drogas orais em geral são suficientes em pacientes com cefaleia que aumenta num período prolongado. Os tratamentos também devem ser ajustados ás características históricas dos ataques; aquelas com ataques moderados a graves devem começar com triptanos ou derivados do ergot; aqueles cujos ataques são mais brandos podem ser tratados com êxito por drogas anti-inflamatórias não esteroides, isometepteno ou drogas combinadas com butalbital. Como o tratamento eficaz quase sempre precisa ser iniciado prontamente, é essencial não guardar as drogas mais potentes para serem usadas apenas horas depois de outras drogas terem falhado.

TRATAMENTO PROFILÁTICO:

O momento de implementação do mesmo, depende da frequência dos ataques e da eficácia do tratamento agudo. Condições co-mórbidas, como hipertensão e doença bipolar, podem influenciar a escolha da medicação profilática. Pelo menos dois ou três ataques por mês podem sinalizar uma indicação dessa abordagem. As drogas principais e sua dose diária são propranolol (40-320mg), amtriptilina, nortriptilina e dexepina (10-175mg), verapamil (120-480mg), divalproex (500-2000mg), topiramato (75-200mg), e zonisamida (200-500mg).

1.Merrit Tratado de Neurologia, editora de Lewis P. Rowland. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 11ª ed.

2.de Andrade, Camila Rosa Rolim, and Francisco Carlos de Andrade Júnior. “Princípios de avaliação das cefaleias.” Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba. ISSN (impresso) 1517-8242 (eletrônico) 1984-4840 13.2 (2011): 1-4.

 

Fonte: Figura – New England Journal

 

Patrick Soeiro Pessoa

Acadêmico do Quarto Período de Medicina

Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

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