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Cisto de Tarlov

“Doutor, não to sentindo minha perna, o que ta acontecendo?”

Existem inúmeras causas para dor nas costas e perda da sensibilidade nas pernas, porém vamos abordar uma rara que pode deixar os médicos “sem rumo”. O Cisto de Tarlov é uma dilatação em forma de saco contendo líquido cefalorraquidiano (líquor) proveniente do espaço subaracnóideo (entre as meninges) devido a uma comunicação no sistema valvular. Esse cisto no canal sacral, ao nível da junção da raiz posterior com o gânglio espinhal, surge no espaço entre o perineuro e o endoneuro (camadas que envolvem as fibras nervosas). Pode, também, estar presente como múltiplas lesões císticas nessa região. Geralmente apresenta-se como uma lesão assintomática que, dependendo da localização, tamanho e relação com a raiz nervosa adjacente, pode passar a ser sintomática, pois causa compressão de estruturas nervosas e/ou ósseas capazes de provocar dor músculo-esquelética em região lombossacral e em membros inferiores – semelhante a uma irritação dos nervos – alterações esfincterianas, déficit motor, disestesias (sensação anormal dolorosa) e hipoestesias (sensibilidade diminuída ao estímulo).

De acordo com estudos já realizados, as lesões ocorrem em 1%-5% dos pacientes, prevalecendo no sexo feminino. E a etiopatogenia, ainda discutida, está relacionada a várias teorias tais como traumática, congênita, hemorrágica, e a doenças de má-formação do tubo neural, entre outras.

ANATOMIA

A coluna vertebral, ou espinha dorsal, estende-se do crânio até o ápice (parte terminal) do cóccix. Ela consiste, geralmente, em 33 vértebras – dispostas em 5 regiões, sendo 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas. O local de acometimento do Cisto de Tarlov encontra-se no nível sacral; O sacro tem a forma de uma pirâmide quadrangular com a base voltada para cima e o ápice para baixo e articula-se superiormente com a 5ª vértebra lombar e inferiormente com o cóccix. O canal Vertebral é formado pela junção das vértebras e serve para dar proteção à medula espinhal. Além do canal vertebral, a medula também é protegida pelas meninges (dura-máter, aracnóide e pia-máter), pelo líquor e pela barreira hemato-encefálica.

QUADRO CLÍNICO

O paciente diagnosticado com Cisto de Tarlov, e quando sintomático, pode apresentar sinais e sintomas – isolados ou associados – como dor sacral com a dígito pressão do local, perda parcial da motricidade de pé esquerdo, hipoestesia de L5 – S1 à esquerda ou hipoestesia em território L3 a S4 à esquerda, disestesia dolorosa e alterações esfincterianas.

DIAGNÓSTICO

A ressonância magnética foi escolhida como padrão ouro para o diagnóstico do Cisto de Tarlov, pois pode mostrar o cisto, sua expansão para o canal central sacral, a compressão local ou de outras raízes adjacentes ao cisto. No entanto, na maioria das vezes, é descoberto acidentalmente em exames de imagens para outras alterações patológicas do corpo. A neuroimagem da região lombossacra e da coccígea, para o diagnóstico, são importantes para visualizar o cisto que pode ser único, múltiplo, bilateral, além de determinar o seu tamanho, sua expansão, identificar as estruturas envolvidas, ajudar no acesso neurocirúrgico e como prova para afastar alterações metabólicas e outras doenças, como colagenoses, que causam neuropatias. A conduta inclui um estudo radiológico da coluna vertebral e, também, a realização de tomografia computadorizada com finalidades de avaliar erosões ósseas, pois podem ser um sinal indireto de cisto de Tarlov.

TRATAMENTO

O tratamento para Cisto de Tarlov, que em maior parte é de caráter conservador, depende da interpretação do conjunto de sinais e sintomas, do tamanho e efeitos do cisto, baseando-se no consenso geral referente às patologias degenerativas de coluna lombossacra: diagnosticar se existe compressão nervosa e/ou óssea, para que se possa determinar uma conduta clínica e se necessário, um procedimento cirúrgico. Deve-se ressaltar a importância de uma avaliação do perfil psiquiátrico, pois este pode influenciar no tratamento e define a procura de ajuda médica. O tratamento conservador consiste basicamente no alívio da dor por meio do uso de analgésicos, antiinflamatórios, antidepressivos e fisioterapia motora para dor.

BIBLIOGRAFIA:

1. De Sá, M.C. et al. Cisto de Tarlov : definição, etiopatogenia, propedêutica e linhas de tratamento. Acta Med Port. 2008;21(2):171-178

2. Lucantoni, C. et al. Tarlov cysts: a controversial lesion of the sacral spine. Neurosurg Focus. 2011;31(6):E14

3. Marino, D. et al. Tarlov cysts: clinical evaluation of an italian cohort of patients. Neurol Sci. 2013;34:1679–1682

4. Miranda de Sá, M.C.P.R.M; Miranda de Sá, R.C.F.L. Cistos de Tarlov: relato de quatro casos. Arq Neuropsiquiatr. 2004;62(3-A):689-694

5. MOORE, Keith l.; DALLEY, Arthur E. Anatomia Orientada para a Clínica. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p.380

Figura – fonte: Indian J Orthop. 2007 Oct-Dec; 41(4): 401–403

 

Letícia Binda M. D’.

Acadêmica do quarto período de Medicina

Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC

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